segunda-feira, 29 de junho de 2015

Por Tempo Tanto (Poema Erótico)

Por tempo tanto, sonhara conquistar dos Deuses
Aquele carnal e ileso manjar chamado Selena.
Sua esbelta figura nele aflorava loucuras ardentes
Que fariam o mais experto juízo cair pela beleza.

Por anos, a negação alimentou sua ilusão e volúpia,
Vendo-a planar, lépida e juvenil, entre os mortais,
Por ele passando sem reparar na louca vigília…
Agora ele a tem desnuda sob seus olhos ferais.

Deitada na cama, ela serenamente dorme, nua,
Como soía todas as noites de lunar esplendor,
A ele preservada em sua angélica formosura,
Inerme, desprevenida, com langoroso ardor.

Ele entrara, feito uma víbora em Edens a penetrar,
De Selena no recôndito lar, antes se certificando
Que nada lhe interromperia daquele corpo o gozar.
Ninguém à vista: todos a quilômetros repousando.

Assim, grito algum transpassaria o silêncio cúmplice.
Possuiria de seus devaneios a intocável deidade
Ali mesmo; na virginal pureza o sórdido artífice
Faria um tálamo às suas profundas e torpes vontades.

Sentindo o ambrosíaco aroma que dela recendia,
Com o extremo cuidado de não a despertar,
Amarra-lhe as delicadas mãos com perícia
Na ampla e resistente cabeceira de âmbar;

Atou-lhe também os pés: presos um de cada lado.
Destarte, estando dela todas as defesas anuladas,
Pôs-se então a contemplar-lhe o corpo orvalhado,
Tão adolescido e alentado em tenras auroras.

Eis que, de súbito, os puros olhos se abrem;
Ao ver-se atada à cama, nua em presença de intruso,
Começa a gritar e a debater-se, como se aquém
Não fossem seus esforços em âmbito noturno.

Logo, desce-lhe à boca a forte mão calejada,
Pressionando-a com controlada força,
Não a machucando, impedindo sua fala.
Rasgando a própria roupa, ele fez uma mordaça.

Estava muda e imóvel; uma linda presa capturada.
Rendendo-se ao desejo, abocanhou-lhe os mamilos,
Tão suaves, tão deliciosos, sorvendo com gula
Os seios graúdos e nela despertando gemidos.

Fremindo… dentro de si um férvido vendaval
A devastando; aos poucos, sua razão perdia.
Palpitações se atropelando… confusão cabal:
Resistindo aos chupões, cada vez mais era vencida.

Ele não para, nem sequer ameniza a tortura;
Com movimentos contínuos, brutos, rápidos,
Dessedenta em mergulhos a sequiosa língua.
Ao perceber os bicos vermelhos e inchados,

Começa a molestá-la de sádica maneira:
Movendo os mamilos de baixo para cima,
Lenta e aflitivamente, com atordoante leveza,
Fazendo-a estremecer em toda a sua estrutura.

A excitação demasiada em agonia se converte.
Em vão ela tenta livrar-se atritando as cordas;
Enquanto é sorvida, uma das ávidas mãos desce,
Como um raio a cair, no florão entre suas coxas.

Um choque úmido e quente turbou-lhe os sentidos.
A região que, com tanto recato, por anos preservara,
Estava à mercê de outrem… nas mãos de um inimigo.
Traía-lhe o corpo: fervente sangue ali se concentrava,

Cada vez mais, lhe aguçando a flamante sensação.
Para ele, era a maior fortuna aquela molhada flor
Tocar, vê-la desabrochar, contraindo-se em sua mão,
Esticar seus lábios para lhe intensificar o furor.

Mais sangue ao sul dimana contra sua vontade,
Fazendo arder-lhe o ventre com loucas carícias.
Friccionava um sensível ponto de sua intimidade,
Para cima e para baixo, devagar e em ação contínua.

Não tinha pressa: queria de todo aproveitá-la.
De golpe, fitando-lhe o olhar aturdido e suplicante,
Fez escorregar os dedos para dentro da rosa oculta,
Apertando-os naquela estreita passagem gotejante.

Explode nela um grito de fúria pela mordaça contido.
Quanto mais suportaria tal vergonha? Tamanha gana?
Ele mete-lhe os dedos com sofreguidão, rápido,
Profundamente, fazendo-os emergir vezes tantas.

Agita-os dentro dela, em movimentos giratórios,
Para com fúria o angustiante prazer aumentar,
Vendo Selena a contorcer-se, em deleite notório.
Assim, com mais força e rancor ele a penetra.

Seus pensamentos a deixaram; o tesão fê-la refém.
Nada mais conseguia ver: tudo lhe era tão só prazer.
Ofegando, mordendo o pano que os apelos detém,
Obsta o orgasmo para esse orgulho não lhe prover.

Porém, ele era incansável, esfomeado… invencível:
Arqueando as costas, num urro de selvagem fêmea
Que transpassou a mordaça às súplicas insensível,
Ela gozou com máxima pujança, sobremaneira.

Toda a força que usou para esse gozo impedir
Aos ímpetos do vil desejo então uniu-se,
Redobrando assim todo o seu libidinoso sentir,
Massacrada ferozmente pela ânsia de livrar-se.

Sua vagina pulsa, toda dolorida… esgotada;
E os dedos dele ainda se encontram nela,
Sentindo ardência naquelas paredes dilatadas,
Acariciando o montículo de sua camada externa.

Então ele, dando-lhe a entender sua intenção próxima,
Retirou-os, bruscamente, e os mergulhou, ainda úmidos
Da doce essência de Selena, em sua árida boca,
Chupando-os enquanto vislumbrava seu crime lúbrico.

Vendo-o em tão animalesco ato, antevendo o que ocorreria,
Sentiu-se tomada por intensa preocupação e rubor.
Meneando a cabeça, desesperadamente grunhia;
Mesmo assim, não pôde demovê-lo de libar seu sabor.

Ao contrário: tal decorosa recusa, permeando brios
E íntimos intentos em bravia luta desvantajosa,
Somente lhe favorecia a sedução tal arbítrio,
Qual lebre no fugir instiga a serpe venenosa.

Era do erotismo singular fascínio a resistência:
Sobremodo, da fêmea sua extraía deleitoso domínio.
Manipular tanto a excitação quanto a consciência
Dava a ele, mais do que tudo, onipotente prestígio.

Assim, pôs-se sobre ela, roçando seu torso musculoso
Na genitália da terrestre diva; beijando-lhe todo o ventre,
Foi aproximando o rosto daquele órgão tão desejoso.
Tendo-o alcançado, parou para admirá-lo, de chofre.

Amiúde, ficava a imaginar, quando ela por ele passava
Em suas elegantes roupagens, postura majestática,
Como seria ela sem tantas vestes e fantasias, apenas
Coberta por seu encantado pejo de moça castiça.

Como seriam as suas formas mais ocultas? Seu Secreto
Nome? Suas naturais fragrâncias? Seu gozo? O gosto
De sua intimidade? Que aspecto tinham seus segredos?
Tinha-os à disposição, agora, para o seu gozar expostos.

Nesse caso, vencia a imaginação a realidade:
A visão daquele fértil jardim excedeu suas expectativas.
Uma trilha de pelugem do montículo subia-lhe
Em direção ao umbigo; um indicador ao lírio de delícias.

E a principal atração, estando abertas e presas as pernas,
Bem visível ficou, esboçando pelo nenhum: lisa e oleosa.
Tudo nela é lindo e charmoso: suas avermelhadas pétalas,
Ao fogo submetidas, realçadas pela branca pele brilhosa;

Cada reentrância e saliência, cada dobra e profundidade
É obra perfeita nas mínimas minúcias; o odor típico,
Adocicado perfume, que ele respirava com voracidade,
Supera os bálsamos mais aprazíveis e místicos.

Não pôde mais conter-se; e mesmo contra os protestos
De sua vítima atormentada, fez-lhe uma investida cruel:
Por ela apaixonado, afoitos, seus lábios os dela tocaram,
Usufruindo de tão rico manancial mel inesgotável.

Lambe de lá tudo o que dela se expele; nada ele repele:
Gota sequer desperdiçaria daquela sagrada seiva.
Cravava sua ávida língua na abertura que se lhe oferece,
Saboreando o interior daquela flor melíflua.

“Por que tão vulnerável… tão maldito… és tu, meu corpo?
Cedendo tuas pudendas sensações a um desconhecido!
Já não calha o comer… o respirar… diversos estorvos,
Para me amaldiçoares com desagradável libido?……

“Que estranho sentir é este? Que… delicioso desconforto!
Por que tua língua bole minhas baixas regiões?…
Por qual obrigação… tu o queres? Que gosto te é engodo?”
Mas ela cessou de pensar, ao que voltaram as convulsões.

Percebendo nela a excitação crescente, arredou-lhe os beiços,
Contornando-lhe as bordas carnudas, de jeito suave.
Braços e pernas as cordas puxam; suor corre sobre os seios;
Indômitos gemidos soam abafados… o desejo avoluma-se.

Esticadas as pétalas, engole o hiante sexo por inteiro,
Como se beijasse a boca de uma princesa. Esfregava sua língua
Naquela macia textura em assomo forte e ligeiro,
Movendo o deleite de Selena na cadência de sua lascívia.

Medo, mágoa, ira, vergonha, repulsa: tudo em perdição e loucura
Converte-se e funde-se… turbilhão tórrido e encharcado.
De tão intenso, vinha-lhe junto com o prazer certa ardência;
Mas ela sabia que reagir seria inútil… mudos os chamados.

A sensação que há pouco experimentou – o fogo devorador –
Muito mais forte e incontrolável se lhe torna;
Já não resistindo às ofensivas do sôfrego violador,
Seu orgasmo tão cobiçado a ele novamente entrega:

Num imóvel tremor, ela ouve-se gritar enquanto goza
Tão violentamente, como se fosse estourar sua bela carne.
A boca do invasor ainda mantém-se ali a torturá-la:
Abocanhando-lhe o gozo, ainda queria dela saciar-se.

Agarra Selena pelo quadril para melhor a usurpar,
Com paixão mais agressiva, maior absorção.
Pouco importa o que seu egoísmo irá causar:
Só quer drenar o máximo de néctar daquela região.

Tentou recuar o corpo, sacudir-se; mas nada o afasta.
É um verme noturno a sugar o alento de uma rosa,
Até que esteja de todo satisfeito… e ela morta.
Não quer outro alimento; desse veneno morrerá.

Por estar tão aflorada a sensibilidade daquele lugar,
Cada mexer, cada sorver é um suplício!
A inquietude lhe dominou; começou a lagrimar;
Porém, nenhum doer comove do malfeitor o vício.

Em espasmos frenéticos, com lágrimas de luxúria
A lhe ensopar a face, toda suada e vermelha,
Ela prefere que ele a mordesse a tal agonia!
Mas ele não lhe pretende ferir a delicadeza.

Transpassado certo tempo, no paroxismo do tesão,
De repente o sádico parou de mortificá-la,
Sem antes lhe dar um último e interno chupão
Que nela ardeu como se dele a boca fosse brasa.

Ao sabê-la tão atordoada, sua atiçada mulher
De inocências despida, julgou-a pronta
Para perpetrar maior intrusão, indizível prazer,
Enchendo com sua essência sua deusa toda.

Tirou seus trajes bélicos, para longe arrojando
O sabre com o qual matou sentinelas;
Vendo-a irrecuperada, seu órgão pulsando,
Caiu sobre ela como um urso sobre a presa.

Estando tão molhada, a penetrou com facilidade.
Calor uniu-se ao calor; labaredas o fogo queimou.
Sentindo-a impetuosamente, fuzila sua feminilidade,
Revolvendo o profundo amor de quem nunca amou.

Extirpado pudor, consumada desonra… gozo tremendo!
Trepida a cama como se fosse desmontar;
E com a violência dos assaltos e movimentos,
Derramamento de delícias, rompem-se as cordas…

Pela noite inteira, inverteram os personagens:
Quem sodomizava, bruscamente foi subjugado.
Quando ascendeu o dia e se desfez a tempestade,
Dois corpos rebrilhavam, lânguidos… abraçados.


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