segunda-feira, 29 de junho de 2015

Artigos Acadêmicos – A Morte da Argumentação!

Artigos Acadêmicos… a corrida do ouro. Quem publica mais vence; e quem faz pose, vira gênio. Escrevem, escrevem e não dizem nada. E como dizer, se, ao menos no Brasil, o artigo acadêmico é o texto mais paupérrimo que se pode ler relacionado à literatura, ao pensamento próprio, à arte e à filosofia, porque trata-se do resultado de reduções infinitas. No caso dos alunos, o artigo deve embasar-se totalmente no que outros disseram – o aluno não tem voz para nada (belo jeito de criar pensadores livres). É plausível o uso desse processo: é uma forma mais dinâmica e fácil de assegurar-se que o aluno vai escrever e pensar bem, pois doutores e pensadores (de literatura, pelo menos) não lidam com ineditismos. Se o aluno trouxe ideias novas ou novos estilos de escrita, eles “bugam”, não entendem e rejeitam… escrever artigos com o método acadêmico é um ótimo controle de qualidade para os imbecis. Péssimo para quem realmente quer pensar e aprimorar-se.
No caso dos doutores e professores que escrevem por obrigatoriedade profissional, que podem dizer o que quiser, a maioria deles vive repetindo o que a árida crítica disse – análise sem fruição do que é vivo – e autoplagiando suas bobagens. Ganham estrelinhas de bom menino com isso e aumento salarial. Além de que a linguagem do artigo é extremamente restritiva: todos escrevendo igual, no mesmo molde, mesmos expressões, tornando-se irreconhecível quem é o autor. Fala-se tanto em preservação da identidade social – outra baboseira, sendo que todos nós somos ou deveríamos ser camaleões sociais –, então por que querem tanto destruir a identidade artística, de escrita e pensamento de quem pode ter o que dizer? Pois isso é padronizar à força o que não tem e não deve ter padrão e, sim, fruição de argumentos. Estão destruindo, a golpes de martelo, a criatividade coletiva… transformando em calculadora quem podia ser um artista, um literário. Sem contar que nunca encontrei artigo literário que abordasse minimamente bem um assunto – vai ver há quem goste da matemática de pedra na literatura… esses odeiam literatura mais do que tudo!
E, além da segregação da criatividade e racionalidade, esse fato os professores e doutores ainda vivem no tempo das cavernas… na infância da crítica literárias. Pois consideram a catarse o auge do impacto literário (nunca leram Kafka, por exemplo, e sua “catarse negativa”); que os poema épicos eram constituídos por seus personagens perfeitos (as antas doutoradas percebeu não perceberam o quão são patéticos tais personagens e quanto valor há no patético – a exemplo da Ilíada, de Homero, e sua guerra apocalíptica que destruiu Tróia por causa de uma mulher apenas… ninguém vê o quanto isso é patético e maravilhoso? Pois o patético, e não a bondade, é o que verdadeiramente cinge nossa condição humana); e por fim, acreditam ainda na ilusão infantil que a literatura humaniza. Para começo de conversa, humanizar não é necessariamente tornar-se melhor, mais bonitinho e mais comportado, mas sim tornar-se mais humano, assimilar características genuinamente humanas… e isso tanto pode ser bom quanto ruim (eu penso que seja majoritariamente ruim, mas isso é passível de discussão). Para fim de conversa, a verdadeira literatura nos transforma em demônios ao invés de anjos. Obras como Crime e Castigo (a rainha da humanização, segundo os jegues de plantão), de Dostoievski, nos transforma em monstros antes de nos purificar, visto que Raskólnikov (o protagonista) faz seguimento do pensamento de William Blake em seu O Casamento do Céu e do Inferno (The Marriage of Hell and Heaven): “One Law for the Lion ando Ox is Opression” (“Uma só Lei para o Leão e o Boi é Opressão” ou “para o Boi é Opressão”), que consiste em diferenciar em encargo de responsabilidades leões dos bois, Napoleões e Júlios César da plebe que só nasce para morrer. A queda de Raskólnikov  também é a queda do mundo por ele idealizado, e não há arrependimento pelo crime, mas por sua falha em doutrinar o mundo. Muito humanizador, né?  Se um presidiário ler e entender bem os contextos do livro, virará não um santo, mas um tirano pior ainda… ou, no mínimo das hipóteses, ele virará o tal do pensador livre, que é agente destrutor da sociedade e, por conseguinte, um rebelde, temido pelos doutores e professores que “incentivam” o pensamento livre.
Pensando melhor, artigos acadêmicos são adequados… preservam essa realidade podre e petrificada, à sombra de que vivem pseudointelectuais e desprezadores da literatura muito bem graduados e “publicados”.      

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