segunda-feira, 29 de junho de 2015

A Diferença entre o Criador e o Professor

Nesta época em que todos os pensadores estão sendo arrastados à docência como levados a um precipício de onde pularam sem misericórdia, desperdiçando assim seu real talento. È óbvio que não quero desvalorizar os professores, a profissão mais procurada pelos que foram os menos estudiosos de suas turmas no ensino fundamental e médio (ao menos, é esta a realidade do Brasil), mas algo simples deve ser esclarecido: há os pensadores que constroem conhecimentos e outros que os transmitem. Há quem emprega seu tempo em criar e outros em aprender e repassar o que aprenderam. Há os que criaram e criam fórmulas matemáticas e quem as aprendeu e repassou para outros. Há quem escreveu livros grandiosos e quem soube lê-los da forma correta e ensinar aos outros como compreendê-los. E por aí vai.
Tanto o criador quanto o professor são importantes. Mas como disse William Blake em seu livro O Casamento do Céu e do Inferno (The Marriage of Heaven and Hell – 1793), há os Prolíficos e os Devoradores (no caso, Blake usa essas definições para referir-se às partes do ser, mas aqui, para melhor exemplificar o que proponho,  usemo-las como definição de indivíduos). Segundo o autor, estas duas classes – metades do ser – não podem se misturar, pois causariam a destruição da existência. Valendo-se desta frase como analogia, chega-se à ideia de que não se deve misturar essas classes, pois havendo somente Prolíficos (Criadores) não haverá quem dissemine o conhecimento criado por eles; e se houver somente Devoradores (Professores) não haverá quem lhes crie ou renove o conhecimento de que tanto precisam (o nutriente que lhes faz tão bem). 
Por isso, apesar de o Brasil estar passando – como parece que sempre esteve – por uma crise nas licenciaturas, é importante que as universidades e organizações afins parem de empurrar para o abismo quem tem outras propensões, querendo transformar a todos em professores. Prolíficos em Devoradores. Pois assim se estagnarão tanto os professores quanto as nações que deles dependem, não excluindo, é claro, a evolução que almejamos para todas as sociedades e toda essa papagaiada. Além do mais, os professores estão cada vez mais babões, crianças brincando de dar aula, pois se enamoram de cada recurso infantil, de cada idiotia que seria mais justo fazer barquinhos de papel com o diploma desse honorários jegues. Sim, estou criticando a divindade máxima da educação porque, em muitos aspectos, deixam a desejar e ambicionam não mais do que vencer a gincana por publicações que a educação tem-se tornado, menosprezando qualquer aluno que saiba mais do que eles (guerra de egos: docência brasileira). Além de que, como disse o Luiz Felipe Pondé em seu Guia do Politicamente Incorreto na Filosofia, professores odeiam estudar (acrescento que, em sua maioria – não me referindo a todos –, pensar mais do que devem, mais do que são pagos para fazer, não é seu hobbie favorito). Eu poderia fazer mil críticas quanto a eles, mas isso não é objetivo desse texto (pretendo em um próximo “desabafar” tudo o que incomoda nesse maravilhoso profissional).
Por ora, me limito a dizer que, se as coisas continuarem assim, o professor do futuro será uma criança com brinquedos; os alunos serão seus irmãozinhos mais novos. E os verdadeiros pesquisadores, literários, artistas, gênios… os verdadeiros prolíficos estarão condenados à extinção por causa da obrigatoriedade de ensinar e não criar/descobrir. É hora de repensar conceitos de quem é Professor e quem é Criador (ou quem é ambos) e dar-lhe as devidas condições de expandir-se intelectualmente. E de repensar como ser professor.         

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