sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ragnarök (Poema Incompleto)



Quando matar Skoll o Sol em deidade
E Hati destruir da Lua as puras faces,
Sairá seu pai horrendo à mortandade,
Cuja boca do chão aos céus se amplia,
Liberto por sua irmã, do inferno rainha,
Que num sorriso Vida e Morte exibe.

E quem num amplexo o orbe comprime:
Jorrou na extensão das nuvens e terras
De Jormungandi a letífera substância.
Serpente colossal, em toda atmosfera,
Ainda que morta, seu veneno mantivera.
E dos trovões não houve mais ressonância.

Deus poderoso, inteiro e vivo, de súbito
Por Fenrir, lobo gigantesco, foi devorado.
Vidal, seu filho, fez-lhe da vingança o ato:
Co’ mãos hercúleas destroçou a mandíbula
E, com uma lança, o coração do demônio.
Jazia deus digerido em seu estômago.

Tirr, cujo punho direito fora amputado
Pela própria vontade, o cão caçador
Garm, sendo todo de gelo, de terror
Todo composto, venceu e foi derrotado,
Semelhante a Loki, dos reinos o subversor,
Um desfecho por todos predestinado.

Trazidos a Helheim, mesmo que guerreiros,
Tendo com asco e miséria servido a mesa
Os criados de Hella, vão-se os herdeiros
D’arquitetura de Sofrimentos à penitência.
Aos mortos, Preocupação é o sossego;
A Fome e a Inanição suas ferramentas.

Quando a hórrida batalha tão somente
Por cadáveres de deuses se constituía,
Gigante de fogo, consequências perenes,
Decompôs os nove mundos em rubra ruína.
Consumou-se o Ragnarök sem vencedores,
Lugares não restando aos sobreviventes.

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