terça-feira, 29 de julho de 2014

Nossa Pele de Cores e Formas


Das praias conquistadas até as cidades imensas,
O ouro em prédios e sonhos transformado,
Os rios e mares domados por naus brasileiras,
Do sangue que tingiu a bandeira com deformações
Ao triunfo em que se espelham todas as nações,
Depois de termos vencido e morrido tantas vezes,
De com braços valorosos o próprio peso soerguido,
Onde está tua grandeza, Brasil retumbante?

Pois tuas veias de água estão cheias de cardumes;
Tua cabeleira de florestas, um reduto de espécies;
E em tua gente tão forte, honesta e aguerrida,
Vês as marcas de tua mais rara recompensa.

Onde estão tuas belezas? A glória que encerras?
Em toda os ares, dirão os pássaros!
Em todos os lagos, dirão os peixes!
Nos cantos recônditos, dirão os seres místicos!
Em todas as cidades, diriam homens e mulheres!

Mas a enxergar a própria vastidão nos recusamos
Por confundi-la com o que não somos…

Porquanto não precisas, país de maravilhas,
De uma roupagem com a qual te apresentes,
Sejam os ventos os arautos de tua constância;
E, desfraldados ao longo de territórios infinitos,
Os lábaros bordados de nossa pele de cores e formas,
Mesmo que, às vezes, por causa da ilusão de um desamor,
Da injustiça que a nós declaramos por ignorância,
Pareça-nos lisa e incolor.

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