segunda-feira, 6 de maio de 2013

Tem Algo a Ensinar...


Tem algo a ensinar aquele que nos dirá o que jamais poderemos aprender por nós mesmos.
            Nem se refletíssemos por uma vida inteira, visto que a genialidade não se dá através da persistência, dos estudos, mas sim de uma ruptura de consciência, que pode ocorrer ou não, independentemente de quão árduas forem nossas tentativa em alcançar o patamar dos gênios.
            Portanto, o verdadeiro educador é quem provoca abismos com uma quebrança de atmosferas, de articulações e juntas empedradas, em quem ele deseja educar.
            Pois ensinar o que é restrito e dizível por tantos outros não é ensinar.
        Tal como o autor a criar o que já foi criado, mesmo que em outra linguagem e estrutura e significâncias, mesmo que prolífico nada pôde criar.
            Mil odes; duas mil páginas; dez mil novas bíblias podem não condizer a uma sílaba de originalidade.
            Em contrapartida, uma fração de texto, por menor que seja, pode aproximar – e não conter – abismos infinitos.
            O mesmo se dá com a arte de ensinar, que compete somente aos que podem fender o tempo… rasgar mentalidades que, ao reconstruírem-se, hão de fazer o mesmo com outras mentalidades.            
Ensinar é apresentar o absurdo, o inaudito; expor o que não é novo e edificante ou desconstrutivo ao mundo é nele gravar o que já lhe pertence… embora sirva para que não percamos informações, isso ainda não é ensinar.
Plasmar conhecimento, copiar ideias para repassá-las a quem ainda está nascendo – não mais que isso.
Destarte, há somente transmissão de conhecimento quando há educadores e não o grande educador.
Outrossim, quando há alunos que esperam ser ensinados e os que são pais de si mesmo.    
Obviamente, os alunos do educador a quem me refiro têm semelhante especificidade: movem-se empiricamente, tudo assimilando e convertendo. 
São aqueles que têm propensão de receber a fratura psicológica que o grande educador há de lhes causar.
E continuar a mover-se, enquanto se reconstroem e criam caminhos a um só tempo.  
Eles são o próprio caminho.
São esses alunos que perscrutam vastidões pela vontade irrefreável de os conhecer, que se antecipam e evoluem antes de o mestre causar-lhes rupturas de consciência, como se já as esperassem.
Como se já estivessem a esperar por elas, como se soubessem que logo elas chegariam. 
Já estão prontos para recebê-las, para internalizá-las em um novo contexto; e, caminhando desse modo, após terem sido feridos por uma razão superior, hão de ensinar o mestre.
E outros gênios perfarão mundos. 

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