quinta-feira, 16 de maio de 2013

PROÍBAM OS LIVROS!


Deveria ser a lei máxima tal proibição, o primeiro dos mandamentos. Livros deveriam ser repelidos da nova sociedade, que ainda está em formação e não requer influências literárias. Apenas o específico lhe interessa.

Deveriam os livros ser proibidos, como se fossem drogas, mas com maior severidade por parte da lei. Pois os mundos que estão nos livros, ao serem tocados, causam efeitos colaterais de maiores intensidade e dependência. Deixam-nos instáveis. Sobre-humanos.

Deveriam ser proibidos, principalmente, porque não são todos que estão preparados para ouvir o que os livros têm para contar. Não são todos que podem abarcar imensidões, destacar-se entre os seres pensantes. Não é tarefa para todos, nem sequer para a maioria. Então, que sejamos democráticos.

A sociedade moderna é prática e objetiva. Proscreve almas complexas. Assim, é mister desprover a leitura da população, que, ao que tudo indica, não necessita de gênios e, sim, de políticos e de opressão. Liberdade soa terrível demais, quando não se torna a pior das dependências. Com ela, tornamo-nos fruição para nós mesmos, e isso é prejudicial ao progresso, visto que deixamos de ser engrenagens a sistemas monocromáticos e sem vida. Deixamos de ser frutos caídos que os insetos devoram. Passamos a ter um pensamento que é tão gigantesco quanto o conjunto de todas as existências. Muta-se enquanto caminha; assimila formas e outras vai criando. E isso não é bom para o progresso de mundos artificiais.   

Devem ser proibidos, principalmente, porque só assim serão lidos. É da natureza humana essa ânsia de querer o que não lhe é permitido, seja para seu bem ou mal… Bruxo de Cosme Velho estava certo. 

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