quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Farelos de pensamentos... conceitos da Arte!

Sobras do artigo que fiz para um simpósio (o qual logo publicarei aqui também), que é mais uma definição do que é arte, a meu ver:

“Contrapondo-se ao juízo de todas as escolas e instituições que prezavam o ensino (embora houve sido corroborado por muitos pensadores), Oscar Wilde afirmara que a arte é inútil… a arte que sobrepõe todas as demais criações pelo seu caráter devastador. De fato, o autor irlandês quem também afirmou que “… O Estado deve fazer o que é útil. O indivíduo deve fazer o que é belo…” não estava errado. À subsistência de um grupo de indivíduos não convém o que é sublime, mas sim o que lhe dará subsídios em curto e longo prazo (logicamente, como decorrer dos séculos, assim como o nosso conceito artístico, essa noção de necessidade foi-se avolumando – e, em muitos casos, incorporando o que era desnecessário e mais cômodo, sustendo-se ela por meio de trivialidades). Junto com a mutável noção do que nos é preciso à vida, veio-nos a ideia, estabelecida quase que atavicamente, de que um homem de valor é quem possuí mais conhecimentos e maior abrangência mental no que condiz à sabedoria, que é a superação do homem quanto à natureza… ou melhor, a aprofundamento máximo do homem em sua linguagem à qual a natureza é alheia. Mas, ainda que sim, a literatura, os pináculos da arte, ainda são inúteis, pois o ser humano pode sobreviver sem cultura, pois corpo não a requer para manter-se ativo; porém, em Otelo, de Shakespeare (ANO 1603), Iago diz a Rodrigo, seu comparsa e “marionete”: “… os olhos dela [de Desdêmona] devem ser alimentados…”, sugerindo que ela não suportaria permanecer ao lado de Otelo em razão da fealdade do mesmo, havendo de procurar quem lhe ampliasse a imaginação, tal como uma necessidade fisiológica… como também precisamos. “Os olhos devem ser alimentados” porquanto, de um modo ou de outro, em razão de uma vontade orgânica haveremos de exercitar a imaginação, cuja expansão (ou origem) se propiciou irreversivelmente pelo acúmulo de experiências do homem primitivo e mantêm-se, no mínimo das hipóteses, em estado de latência (logicamente, em maior ou menor proporção, dependendo do organismo de cada indivíduo e suas propensões).  
Devido a essa reação involuntária – o imaginar –, ao que deixamos de articular o que desponta no cérebro humano, perdemos o controle de nossa criatividade, dos caminhos os quais percorrerá, e nascem as superstições (e seus efeitos estagnantes), além da ocorrência uma espécie de atrofiamento mental. Imagino que a “segunda infância” – a senilidade em seu nível mais absurdo –, se não for afetada a saúde  mental por outros fatores, seja causada pelo paroxismo desse atrofiamento. Enfim, de fato a arte tem relativa importância à existência humana, mantendo-nos mentalmente (e talvez fisicamente) sadios; outrossim, é o deleite máximo que o ser humano pode assumir (maior do que a própria vida, como já ouvi muitos outros “escudeiros de Dom Quixote” dizerem) em virtude das imensidões que ela pode representar e moldar sem sê-las… fazer de nós, a um só tempo, nossos nortes e perdições. E, ao considerarmos importante a sabedoria à vivência, invoco novamente algumas palavras do crítico Harold Bloom, cedidas à reavista Veja, em 31 de janeiro de 2001: “Não é possível pensar sem lembrar – e são os livros que ainda preservam a maior parte de nossa herança cultural. […] Eu diria que uma democracia depende de pessoas capazes de pensar por si próprias. E ninguém faz isso sem ler”.
Mesmo ciente do pecado mortal que é citar a si mesmo, cometo-o aqui para desfechar essa parte (aliás, pretendo me citar mais algumas vezes no decorrer do trabalho. Então, em razão de tal abuso, já estou absolvido ou já condenado ao mais profundo círculo do inferno…):

… Que de tudo resguardai em peito vosso fôlego e sensatez,
Para que tenhais de vós relevância a mais; pois, se nosso
 Júbilo é tão fugidio, e nossos pensamentos por alvedrio feitos,
Façamos de nossas mentes fortalezas a nossos defeitos.
(Livro “Fim de Toda Existência Prelúdio do Fim e Outros Escritos”, Pág. 211, ano 2011.)
A Arte é como se fosse uma criatura inaudita que avistamos de longe, em seu habitat, e cuja aparência, sem nada exprimir, natural e intocada, causa-nos o desconforto de como se estivéssemos diante de uma esfinge sedenta, pronta a nos devorar caso não a decifremos, embora palavras não sejam suficientes para expressar tamanha grandiosidade, tanto enlevo e inquietude interior. Paralisados, sem emitir som algum, somos devorados por aquela visão distante. Nômade. Essa sensação de desamparo, de estupor, da total quebra de preceitos – como se a terra sobre a qual caminhamos toda uma vida se abrisse em fendas e erupções vulcânicas, enquanto o céu se expande vertiginosamente – representa o contato com a verdadeira arte… com a tal criatura inaudita. Como disse Franz Kafka “Queremos livros que nos afetem como um desastre. Um livro deve ser como um machado diante de um mar congelado em nós…”
Ler, planar junto à melodia de uma música, quebrar-se ao ver uma estátua ou pintura, é a escapatória de mentes que não cabem no mundo. Mas, então, sendo a arte uma fuga da vida para a própria vida, como poderia ela fugir de algo que não conhece? Emergir de um ponto de partida comum, sendo tal concepção uma miragem alienígena?" (TO BE CONTINUED - OR NOT! rsrsrs)

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