quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Heresia dos Crentes e Cristandade dos Ateus: O Mundo às Avessas!


(imagem extraída de wrevolta.blogspot.com)

       Deixo bem claro que, neste texto, não me oponho às crenças de ninguém ou a ausência das mesmas. Não é o que irei abordar aqui, pois não tenho interesse em solidificar ou desmantelar os pensamentos alheios (ao menos, não de forma tão explícita). Bem é definida a divisão de águas entre as duas tribos para ambas, posto que, ao que percebo, estejam cada vez mais se invertendo os papéis. Independendo de quantos satanistas e réprobos malditos existam, os maiores hereges são religiosos. Vendo os programas televisivos de determinadas igrejas, pude presenciar o narrador dizer algo similar a isso: “Venha participar da proclamação da fé blá blá... até Deus estará presente!” (vindo de um filho dele legitimado pela fé, isso deve ter soado blasfemo, no mínimo das hipóteses). Um pastor ou crente, perto de onde moro, pôs em seu carro “Deus é o cara!”... sem comentários. Mas, como diria o bastardo Karamazov, valendo-se de uma passagem bíblica, quem tiver a fé do tamanho de um grão de mostarda ainda sim poderá mover uma montanha... e nunca ouvi falar de alguém que, comprovadamente, na era atual, movesse montanhas ou tivesse feito algo tão grandioso quanto (e não me venham dizer que é metáfora!). Então, supõe-se que nem o mais casto dos homens tem realmente fé e, tal como é mencionado nas Sagradas Escrituras, é pecado usar o nome Dele em vão. Como disse em outra postagem, se a pessoa realmente acredita em Deus e tem fé para suportar sua crença, não olharia nem para os lados ao atravessar a rua. “Vá e entregue que tens aos pobres”. Não é que se vê acontecer. O simples fato de os crentes temerem algo, mesmo que seja a perda, a fome ou a ruína, além de serem tão ameaçadores (rosnando feito cães ao que são contrariados) e de não buscarem conhecimento de toda a Terra que é a maior criação de Deus, já destrói o grãozinho de mostarda.
Do outro lado, estão os pensadores, livres do mundo, os que em nada acreditam e, portanto, que não estão agrilhoados a nenhuma mentira. No entanto, para quem se define tão liberto comporta-se e pensa um ateu, às vezes, mais preso às convenções sociais do que um religioso. “ah, deus não existe... mas meu time não pode perder o campeonato”, “ah, deus não existe… mas eu preciso viver de acordo com todas as regrinhas sociais, pois senão hei de estar fora do mundo”… para quem se diz com mente ampla, muitas coisas lhe escapam, sendo a vida uma delas. Não digo que devem sair por aí fazendo barbaridades (obviamente, isso não é desconstrução, mas sim uma completa extirpação de que já fomos… de qualquer valor que algum dia nos diferenciou dos animais de maneira positiva), mas, estando eles às margens de todas as crenças, ainda por ela são conduzidos. É certo dizer que a Bíblia influenciou toda a civilização (à exceção de poucos indíviduos), pois as civilizações ainda crescem e “evoluem” segundo a métrica bíblica. Casamos, procriamos e morremos, sem nunca fugir do que a sociedade nos impõe, direta ou indiretamente, mesmo que saíamos a andar feito loucos na rua, fazendo anarquia (não é isso que estou propondo, aliás; tem mais a ver com liberdade de pensamento, de conduta, do que com irracionalidade). A propósito, os satanistas de plantão são um subproduto da Bíblia, já que louvam e cultuam demônios dela provindos… aliás, existe muitas pessoas envoltas em rebeldia e fúria, nada significando (parafraseando Macbeth), pois são apenas aparência (lógico, TUDO é só aparência, mas isso é outro papo – aqui me refiro sobre saber a que estamos presos e não achar que vivemos uma dolosa liberdade). Se sabemos o que não existe (ou nos abstemos de acreditar em uma realidade para criarmos outra) deveríamos ser mais amplos em pensamento e atitude e não nos deixar (cair em tentação, rsrs) influenciar pelas tendências do mundo. Notória e inconscientemente, a maioria dos que não acreditam em Deus (assim como alguns dos roqueiros contemporâneos têm a mania de justificar seus gostos como se estivessem se redimindo de algum pecado), sentem necessidade de redimir-se pelo que gostam. Ao menos, para mim, será ofensa se quiserem alguns "bons amigos"expurgar de minhas obra o terror nelas intrínseco ou de tentar justificar o mesmo. Não sou o que escrevo e ninguém é o que gosta (a não ser a extensão de ossos e carne que lhe concerne). 
Logicamente, não é necessário agir tal como pensamos (isso é liberdade e suicídio a um só tempo), mas, que, ao menos (e isso vale para todos – gregos, troianos e vikings) conciliar melhor o que pensamos com o que somos e com o que a realidade quer que sejamos. Em suma, a principal diferença entre crentes e ateus é um comportamento análogo ao de crianças: os crentes, olham Deus e, respeitando-o verbalmente, o ofendem com sua conduta moralmente reprovável; os ateus, ao contrário das crianças convencionais, falam horrores do Criador (inexistente ou não), abraçando uma universal bastardia (amando-o às avessas), mas seguem à risca tudo o que "papai" lhes ordenou. Crentes sorriem e louvam quebrando os pratos e pondo-os debaixo da pia, como se estivessem novos e reluzentes; ateus xingam e esperneiam, lavando a louça direitinho, sem deixar uma mancha sequer. Há exceções, óbvio.
Fora destes parâmetros, não passamos de igualdades, superstições e ignorância…          

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