segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Prefácio do Livro "Fim de Toda Existência - Prelúdio do Fim e Outros Escritos"


“It is time to explain myself...let us stand up.*


Alguns esclarecimentos antes da leitura: quando o comecei, meu intento para com este livro era (ainda é) iniciar uma série na qual eu pudesse explorar toda a extensão de minha criatividade e associá-la aos extremos da beleza e da destruição, sobretudo, no que se refere a conceitos existenciais. Em suma, a ideia de arquitetar o nascer e o fenecer de universos me levara a começar essa série, visto que, em minha concepção, é esta a mais sublime dualidade. Esculpir a face da perfeição, despida de preceitos ou padrões, conspurcando e lacerando-a em seguida (ou, o contrário desse processo, construindo a perfeição de ruínas e sujeira), fazia-me elevar o impacto das cenas e, consequentemente, da inteira obra. O impacto! Eis o máximo objetivo que me inclinara, tempos atrás, a tentar desenvolver uma nova vertente na literatura brasileira e mundial (o que repercute no mesmo, pois, a meu ver, se algo é merecedor de ênfase na cultura de uma região ou país, também o é nas demais culturas, porquanto a arte e a sabedoria não têm nacionalidade, e tampouco é estimado seu conteúdo por tal detalhe). Via-me com condições de adicionar à arte novas linguagens e parâmetros. Bem sei da ingenuidade dessa certeza. Hoje, estando eu mais experiente, não mais a possuo; procuro fruir da criação, fazendo-a fluir. Se algo eu puder acrescer à arte, será a fortuita consequência de uma inspiração… de um livre querer. Aliás, por propósito estabelecer doutrinas, nem conceitos que sejam dogmáticos ou doutrinários, apesar de querer desconstruir o pensamento do leitor enquanto estiver lendo este livro. Imagino que todo bom livro que merece receber o título de “clássico” é aquele que faz uma revolução na mente do leitor sem o impelir à parte alguma; que lhe apresenta várias outras perspectivas por este até então jamais ponderadas e o mergulha em sua sabedoria e obscurantismo, impulsionando-o ao pensar e à expansão intelectual (pois, ser mais sábio, não é necessariamente ter mais certezas – muitas vezes, é o oposto disso). Assim, creio estar esclarecendo que todo o conteúdo deste trabalho é ficcional e as filosofias nele empregadas não passam de teses obliquas em deturpadas realidades.
A princípio, a série chamava-se Maldição Eterna, mas decidi renomeá-la de Fim de Toda Existência, por achar este título mais condizente à minha proposta. Escrevi poucas folhas do projeto Além do Inferno (concernentes ao que hoje se denomina Bétula), e abandonei-o temporariamente para começar a trama de outro modo, pensando em retomá-lo como uma continuação. Parti para o livro Maldição Eterna – O Berço da Maldição (Prelúdio do Fim, atualmente). De lá para cá, o texto sofreu incontáveis reformulações em decorrência do aperfeiçoamento que obtive conforme crescia meu interesse pela leitura, sendo que, a princípio, minha maior fonte de inspiração era o cinema. Eis a questão: sou apreciador da arte desde sempre, sobretudo, cinéfilo, visto que eu ainda desconhecia a literatura clássica. Ao conhecer as obras de autores mundialmente consagrados (não me restringindo apenas aos frutos de minha querida pátria, em razão de tantos outros magníficos pomares a se desfrutar), foi enormíssima a expansão de minha criatividade e desenvolvimento artístico, porquanto um artista escritor, segundo meus conceitos, deve ir além da transmissão de informações e da autenticidade no estilo; ele deve ser capaz de manejar a mente do leitor, ditar-lhe as sensações, arrebatá-lo de tal maneira que a ele nada exista além da leitura em suas mãos. Pintar uma obra-prima cujas contemplações posteriores sejam mais intensas do que a primeira; isso é o que difere o real artista. Enfim, tive então de ajustar a obra aos conhecimentos e à linguagem que eu passava a assimilar, enquanto escrevia outros textos (tais como o Poente da Eternidade, que pertence à série Fim de Toda Existência, sendo uma história paralela à do Prelúdio do Fim e não propriamente uma continuação). Em suma, foi trabalhoso ao extremo produzir este livro, mas valeu o esforço: ei-lo pronto. Isso já me basta. 
 Referente à série Fim de Toda de Existência, no romance principal são relatados os singulares eventos que culminaram no desaparecimento de uma cidade no ano de 1809; no conto Poente da Eternidade, consta o relato de um assassino que viveu numa época insuficientemente registrada pela arqueologia (segundo a realidade que criei), muito anterior à contemporânea, na qual não existia velhice e a sua consequente morte. Em ambas as histórias, minha intenção maior foi apresentar ao público cruciais personagens dos volumes ulteriores, cujas vivências, apesar de eles pertencerem a diferentes linhas de tempo, intercalar-se-ão.
 Depois de concluídos esses dois projetos, retomei as poucas páginas do primitivo Maldição Eterna completando-as, modificando o título e boa parte do contexto para incluí-las, em formato novelesco, a este livro. Bétula conta a história de uma cidade isolada do mundo por uma misteriosa maldição, cujos habitantes, à beira da loucura, tentam achar meios de desvendá-la e dar-lhe fim ou, ao considerarem tal impossibilidade, de sobreviver-lhe. Por haver sido, a bem dizer, a minha história primeira e a precursora da série, embora eu tenha preferido deixá-la à parte, pode-se detectar uma relação entre os enredos dos trabalhos já citados, mantida propositalmente a fim de que não se perdesse a ideia original. Além destas prosas, há a compilação Cantos da Subversão, na qual constam cinco poesias (Musa Empírea, Exéquias da Esperança, Sabedoria, Perfeição e Canção às Convenções) e uma crônica (Tudo é Grêmio e Inter, tudo é Big Brother!, que, a propósito, é a segunda apresentada no livro. A primeira está nos agradecimentos – A Nossa Glória dos Outros).
Para finalizar, ressalto a linguagem arcaica a estas obras atribuída. Fi-las assim; agora é tarde. Por ora, eis tudo.
Marcelo Ávila Marques.



* “Hora de me explicar... todos de pé!”. Trecho do poema Canção de Mim Mesmo (Song of Myself), de Walt Whitman, publicado no livro Folhas de Relva (Leaves of Grass). Tradução: editora Iluminuras.

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