segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ossadas do Passado (Confissões de um Escritor) - Texto Excluído

 Fiz este texto para ser uma introdução de meu livro "Fim de Toda Existência - Prelúdio do Fim e Outros Escritos", mas acabei desistindo de incorporá-lo à obra, pois, depois de bem analisá-lo, acabei considerando-o inadequado por denotar certo favoritismo. Enfim, ei-lo abaixo.


Conceitos da Leitura (Análise das Artes)


Analisando as vertentes artísticas segundo suas percepções, as artes visuais possuem arrebatamento de maior instantaneidade do que as auditivas, por serem os olhos os imediatos captadores do mundo externo ao individual e o fulcro de nossa razão. As artes cênicas, por sua vez, abarcam a visão e a audição, sendo seu impacto de redobrada intensidade e fruição instantânea, já que a idéia que contextua a beleza da arte é absorvida e canalizada de duas diferentes formas, facilitando assim, tanto o entendimento do respectivo assunto quanto o afloramento das emoções.
       Entretanto, a arte de ler não é fecunda aos olhos, tampouco aos ouvidos ou a qualquer outro captador; todo seu processo produtivo e fruição manifestam-se na mente sem a menor influência de seus receptores, cuja função, neste caso, é neutra. Por conseguinte, sua percepção requer demasiado tempo e esforço em comparação às demais. Podemos enxergar perfeitamente cada página, identificar cada letra e sua respectiva função, porém, o desdobrar de uma ideia, o fulgor de um raciocínio, será nulo caso não compreendamos a amplitude de seu significado. De fato, a leitura é o deleite da mente. Livros nada mais são do que a materialização de pensamentos, concebidos pelo conhecimento e desenvolvidos pela imaginação, feitos para enraizarem-se em um intelecto compatível. Sendo a mente a regente de todo o universo-corpo, inclusive, dos sentidos e seus captadores, torna-se esta a justificativa de maior teor para a complexidade e imprescindibilidade da leitura.
Portanto, milênios após sua criação, a literatura continua sendo a arte suprema e a mais rica herança de conhecimento. O imortal registro de um ser, de um povo, de toda uma existência; o fogo que reacende as cinzas de nossas origens. Podemos conhecer diversas culturas, pessoas e lugares, a partir de uma boa leitura, criando uma conectividade com os grandes pensadores de distintas épocas. Aliás, é esse o método mais eficaz para ampliar e fortalecer as capacidades intelectuais, o que forja a interioridade de um indivíduo e a cultura de uma nação. Pode-se dizer que toda a Vida está descrita nos livros. Até mesmo, os mundos que pairam na ilusória fronteira do existir.

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