quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ossadas do Passado - Confissões de um Escritor (Parte I)

Nestes espaços (Confissões de um Escritor), postarei textos de minha autoria mais antigos (dos quais não consegui me desapegar) e, de certo modo, pessoais, tal como que segue abaixo, feito em decorrência de um curso de teatro cuja seleção requeria a criação de um texto em que o candidato expunha seus motivos para querer participar do curso. Os melhores argumentos venciam. Se eu passei ou não, é irrelevante; o que importa é conteúdo que me restou, que retrata uma de minhas perspectivas sobre a arte (pela centésima vez, dou marretadas na mesma tecla - logo chegarei à milésima vez). Segue abaixo:

A arte; quem poderia defini-la, delineá-la? Quem ousaria construir cercanias no infinito mar para delimitá-lo, aprisionar em rígidos conceitos a eternidade? Ninguém conseguiria, nenhuma mente de amplitude almejaria tão hedionda pena. É através dela que rompemos as limitações do pensamento, que se afloram as mais profundas emoções, que se liberta a alma da cotidiana mediocridade. A vida nada é sem a arte. E é unicamente nos trabalhos cênicos, que ambas se encontram. Não há outros métodos que materializam a arte com tanta força, com tanto ardor. Apenas no teatro existe a interação plena da ficção com a realidade; os personagens estão vivos (não são pinturas, trechos de um livro, tampouco ilusórias imagens), são tangíveis e passíveis da interioridade humana (sofrem, desfrutam, choram, riam, preocupam-se, invejam, desejam, etc), iguais ao público que tão perto os assiste. Os espectadores procuram nas ações dos atores integrar-se à trama, assim como, os artistas pela reação de sua platéia acrescem-se de ânimo para desenvolver mil faces. A empatia e a fruição são mútuas. Existências refletidas. De tão intensa e sublime a conectividade palco/público e sua profusão de sentimentos, a sensação de se estar num teatro é indizível tanto para quem assiste, quanto para quem estabelece o encanto do espetáculo.
“Toda vida é uma peça de teatro; a diferença é que, apenas nós artistas, sabemos disso”.
Trecho do projeto Anjos.
      

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