terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Efeito Degenerativo das Influências – Arte Letífera

Tudo nos é influência. Uma partícula de informação, se realmente lhes prestarmos atenção, nos inspirará alguma coisa, mesmo que seja apenas o tédio por tê-la escutado ou lido. Enfim, nossa mente sofre bombardeios de influências a todo instante. E, de tal atrito, nascem nossas concepções. Evidentemente, uma mente mal influenciada, mal alimentada, somente conceberá frutos degenerados, prematuros, insustentáveis, ridículos, sem o menor nexo. Uma loucura que nem quem a proferiu a compreende, apesar de acreditar piamente nela. Em outras palavras, por sua parca instrução, não sabem o que estão dizendo. São palavras jogadas ao vento, que não se aproximam da realidade, pois, a realidade de tais mentes é um aglomerado de péssimas e distorcidas interpretações. E o maior fator para que uma mente apodreça é a informação, tanto o teor da informação quanto a maneira que é transmitida (o nível de linguagem… a riqueza do conteúdo).
Considerando que o método de aprendizado é similar ao fortalecimento dos músculos com exercícios (forçamo-lo ao assimilar como as fibras dos músculos se rompem para expandirem-se; no cansaço, ampliamos nossas capacidades as quais, após descansarmos, estaremos aptos a usufruir, enquanto nos esforçamos para alcançar patamares mais elevados – isso é evolução!). A mente é nosso paraíso particular... devemos orná-lo como tal. E, assim como, quando ficamos ociosos, se vão os belos músculos, ao pararmos de nos instruir, nossa mente vai amolecendo até virar “gelatina” (quase que literalmente). Pior ainda é, como quando nos exercitamos erroneamente, absorvermos porcaria, pois tem um fator degenerativo mais rápido e “violento”. Isso ocorre, geralmente, ao nos depararmos com música,  literatura e programas de televisão de péssima qualidade, paupérrimos de conteúdo.  Aliás, julgo essas drogas tão destrutivas quanto as drogas químicas, vendidas às escuras por aí (e mais perigosas do que estas, por serem comercializadas abertamente). Se uma pessoa, por exemplo, ao parar de ler, já sente os efeitos da abstinência (raciocínio e criatividade não tão ágeis), é de se presumir que uma pessoa que, além de estar ociosa, alimenta sua mente com restos estragados, adoecerá, definhará intelectualmente. “Diga-me com quem andas e eu direi quem és.” Também serve: diga-me o que lês, assistes e escutas, que eu te direi se és relevante. Funk, por exemplo, tem letras horríveis, extremamente mal escritas, mal elaboradas, além de não possuir sonoridade alguma… nada apresenta. É o cúmulo do vazio, pois a maioria das letras possuem não mais que dez palavras. E essa estúpida escassez, nefasta idiotice, há de influenciar quem “curti um batidão”, da mesma forma que as pessoas que não piscam vendo “BBB” (Baita Bosta Brasileira), composta por gente supérflua, sem conteúdo algum, desinteressantes de todos os modos (pois, além de nada acrescer ao indivíduo – só decrescer –, o programa é extraordinariamente chato! Um filme que nada tem a ver com a realidade é infinitamente mais interessante!). Até já cogitaram compor um reality show com pessoas cultas… logicamente, nem saiu do papel, por duas razões bacanas: não traria Ibope, pois as massas, cujas mentes já se desintegraram, não assistiriam; a última coisa que querem é povo inteligente (pois, daí, teriam de elevar o nível cultural de sua programação, o que lhes causa o receio de não conseguirem dar conta do recado, visto que  artistas verdadeiramente talentosos são escassos, pouquíssimos, e a criatividade acaba...). São que nem a maioria dos políticos: não querem eleitorado instruído e exigente, já que isso seria proclamar a própria derrota. Assim, acontece com músicas e programas de TV ruins e subliteratura: querem o sugar o cérebro de um indivíduo (literalmente) até torná-lo, a bem dizer, seu escravo zumbi (é este o pior filme de horror já criado – um mundo sem vida inteligente. O elenco desta nefasta encenação já está em toda a parte…) “No final dos tempos, os mortos andarão sobre a terra…”
Louváveis são aqueles que, num mar de dejetos, ainda conseguem conservar sua interioridade, sua viva essência… e não passam a considerar agradável tal fetidez. Aliás, filtrar as influências é essencial, criando assim uma alma veraz e única. “Eu respiro as fragrâncias, as reconheço e com elas me deleito. A essência bem poderia inebriar-me, mas não permito.” – Walt Whitman, Canção de Mim Mesmo.  

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