sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Dinheiro nosso de cada dia – Igrejas do “Deus” financeiro!

“A fé não move montanhas. Em verdade, coloca montanhas onde não havia nenhuma.”
F. Nietzsche 

De tão óbvio e datado que é esse assunto, prometi a mim mesmo que não discorreria, sobre ele. É evidente o golpe de tais “organizações” religiosa, instruindo o povo a dar-lhes dinheiro para obterem salvação e felicidade. Usam a “fé cega” de seus seguidores para “ascenderem” suas contas bancárias. Um abençoado advento… para os próprios pastores. Mas, enfim, em vista da crescente loucura religiosa que só consome o povo, resolvi colocar meu pomposo uniforme de “super-escritor”, com um “M” gigante no peito hercúleo (haha – quem me dera ser tão grande), e pôr no Word minha indignação.
Como tais Igrejas conseguem ir tão longe, sem que os adoradores percebam tamanha fraude, dolo tão ignóbil? Já se viu praticamente de tudo: objetos simplórios vendidos a preços altíssimos porque estão “impregnados” com algum milagre (a exemplo disso, há “As Meias de Deus”, da Igreja Mundial, que custam 153 reais, pois elas contêm um milagre – além do chulé dos pastores), a venda de bênçãos e terrenos no Paraíso (sendo que quanto maior for a quantia dada, maior será sua benção ou loteamento no além-túmulo) e as mandingas, os batuques, parvoíces, os rituais ensandecidos, para que sejam alcançadas a dádivas. Certa vez, uma velha evangélica e ranzinza disse-me que se eu quisesse alcançar um objetivo, teria de sangrar um animal e mergulhar o cabelo no sangue… que baita bosta! Prefiro que nenhum objetivo de minha vida se concretize em vez de sangrar um animal! De que forma tal oferenda pode me ajudar? Não se enquadra em qualquer explicação cientifica, social ou filosófica (pois, querendo ou não, o sentido religioso é, ou devia ser, genuinamente filosófico)! Saciarei a sede de um deus sanguinário? É nisso que implica tal prática? Admira-me o quão místico, supersticioso, cego e burro é o ser humano; aliás, considero a religião a maior das superstições, mas, isso é outro papo. Em outro caso, uma conhecida de minha mãe, freqüentadora da Universal, vendeu tudo o que tinha em casa, reunindo a quantia de 4.000 reais (aproximadamente), a qual deu inteira à congregação, ficando em sérias dificuldades. Uma pergunta que não quer calar: Deus precisa de dinheiro? Já não basta louvor constante? O que Ele faria com dinheiro, que não passa de papel tingido, cujo valor é um acordo entre os “animais humanos”?
Em minha opinião, dízimo e igreja são coisas que não precisavam existir. O dízimo, em decorrência do já expliquei (a nulidade das cédulas coloridas à vida), as igrejas, porque, se Deus está em todo o lugar, é evidente que não é necessário erguer templos para encontrá-lo (assim como fazer aquelas missões ridículas que a maioria das igrejas propõe). Se Ele existir (o que não está sendo discutido aqui), não seria o mundo o Seu templo? Sendo ele todas as coisa, não Sua matéria não se estende desde o céu até o cocô de passarinho num pântano nojento? Não é Deus tudo o que conhecemos? Por mais feias e asquerosas que possa ser uma coisa, não é Deus, visto que a beleza não existe (é uma convenção – assim como a perfeição) e tudo que existe e vive é sagrado, segundo William Blake? Por que então precisamos nos acorrentar à ganância e ignorância de outrem? Aqui não cabe saber se ele existe ou não (respeito a crença de qualquer, independente se respeitam ou não minha opinião, contanto que isso não implique em perda de vida – não seja burrice!). Acreditem no que quiser, pois esta não é a questão; o problema está no desperdício de vida, com privações tolas e mentes aprisionadas. PENSEM! É tudo que lhes peço! Não se deixem iludir com besteiras, promessas absurdas e infundadas. Vivam a seu modo, o mais intensamente possível, sem nunca se restringir (a não ser, quando isso prejudicar alguém – estamos na beira do abismo, sendo empurrados pelo Tempo e mil fatores. Não convém a nós matar-nos assim!). Brinquem, namorem, aprimorem-se… vivam. Não morram em vida, atirando-se no abismo da submissão e loucura, como as igrejas com métodos patéticos a todos tentam impelir. Aproveitem a consciente liberdade: é o maior bem que uma pessoa pode ter.      

"Por que haveria eu de querer ver a Deus
melhor que este dia?
Eu vejo Deus em cada uma
das vinte e quatro horas
e em cada instante de cada uma delas,
nos rostos dos homens e das mulheres
eu vejo Deus
e no meu próprio rosto em cada espelho.
Acho cartas de Deus caídas pela rua
e todas assinadas com Seu nome,
e eu as deixo onde estão,
pois sei muito bem que aonde quer que eu vá
outras hão de chegar pontualmente
e para sempre."
(Walt Whitman - poema Canção de Mim Mesmo, livro Folhas de Relva)

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