quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Falsos ídolos

Tantos ídolos, mas quantos são verdadeiros?
Admiração é, certas vezes, um tiro pela culatra. Será que todas as pessoas a quem admiramos são merecedoras de tal, e não “abençoadas” por uma ilusão advinda de nossa criatividade? Há casos que colocamos diademas em cabeças indignas de tal homenagem. Os loucos apaixonados bem o sabem (sim, nisso me incluo – igual a qualquer um, já sofri dessa maldição vezes tantas). Geralmente, todo enaltecimento é uma projeção desmesurada daquilo que desejamos (gostar de algo ou de alguém). É uma necessidade tão grande o admirar quanto o ser admirado. Um desejo irreprimível. Disso, geram-se equívocos e possíveis desenganos.
            Essa entorpecida admiração é, como se sabe, frequentemente direcionada a pessoas em evidência (ditas “celebridades”), que, na maioria das vezes, não têm atributos que inspirem admiração. Não são os melhores no que fazem (nem perto disso – tampouco se esforçam), nem as melhores pessoas (em maioria), e não têm o conjunto de característica que, embora não sejam elevadas, tornam-nas admiráveis. Vivemos num mundo de aparências e quase tudo não é o que se proclama ser. Quantos falsos ídolos perambulando por aí, vangloriando-se de feitos vazios, infantis (quando não inventados), se pavoneando às largas, à procura de idólatras igualmente ocos para enganar. Um vácuo preenchendo outro: tão cheios de nada (como diria T. S. Eliot). Enquanto artistas mil vezes mais interessantes vivem e morrem sem o devido reconhecimento. John Milton, por exemplo, sentiu na pele – e no cadáver – essa situação, pois só no século XX (embora outros geniais escritores o tenham consagrado muito antes) foi reconhecido pelo mundo como um gigante da literatura mundial (uns bons duzentos anos, no mínimo, após sua morte). Ele não foi o único. 
Acredito que, para dizermos que sentimos admiração por alguém, é preciso analisar característica por característica e fazer a somatória delas – se é necessário ter admiração por alguém. Como diria o príncipe de um pequeno e distante planeta, de que isso nos serve? Igual a todas as necessidades não-fisiológicas, a necessidade de ser aclamado é tão só psicológica. Entretanto, apesar de saber disso, ainda me deixo empolgar por palavras e gestos de admiração – ainda sou humano (rsrs).

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