segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Poucos Pensamentos a Respeito da Exploração...

De fato, para vivermos em sociedade, temos de aceitar algumas perdas para recebermos certos ganhos ou vantagens ou não haveria organização. Melhor dizendo, prescindimos de algumas importâncias para nos eximirmos de responsabilidades menos ou mais desagradáveis do que as que inserimos em nossa rotina, ou daquelas que são incabíveis a nós – talvez, seja esta a decisiva deficiência que nos torna tão inermes nas muitas circunstâncias que deveríamos soltar o nosso "grito bárbaro sobre os telhados do mundo" (Whitman é o cara!) e reivindicar uma condição mais justa para ambas a partes, visto que não sabemos como lidar com nossas necessidades (somos dependentes, por nosso arbítrio, de quem nos explora, feito alguém que leva seu carro com defeito a um mecânico picareta e tem de se submeter aos abusos deste, pois é o único “capacitado” a fazê-lo na cidade e nulo o conhecimento automobilístico de quem o contrata. Ficamos à mercê de espertalhões devido a incapacidades e desinteresse) –, deixando-as ao encargo de pessoas que recebem outros tipos de compensações para efetuá-las – como ocorre ou deveria ocorrer no caso dos políticos. Querendo nós ou não aceitar isso, a sociedade é composta por uma permuta de incumbências – como numa peça de teatro, onde cada ator aceita um papel em relação aos papeis dos demais que melhor lhe compete, conforme seu raciocínio, sua integral visão do mundo.
Logicamente, em razão do instinto que herdamos dos animais, tendemos a inclinar as circunstâncias ao nosso favor (pois todo ser que respira tende, em qualquer situação, a buscar sobrevivência para si e, se possível, para seus afins – sim, em nossos âmagos somos egoístas por culpa de um primordial instinto, do qual só abdicaremos quando formos "desta para melhor"). Todavia, desenvolvemos a razão que deveria refrear os exageros do instinto (muitas vezes, permitimos que aconteça o oposto, quando a razão mescla-se com o instinto, e daí, meu caro leitor, é um verdadeiro apocalipse! – papo extenso, fica para a próxima postagem), olhá-lo como algo já domado e obsoleto, não mais agrilhoados às suas imposições, sem mais deixar-nos afetar pela parte vulnerável de nossa psique. Em decorrência destas conclusões, não podemos inocentar-nos de todas as maldades, perfídias, mesquinharias, que causamos através do instinto, sendo que esta é a absolvição dos brutos e dos animais. E nem, portanto, ficarmos calados quando as presenciamos. O problema é que a exploração fortifica-se no consentimento do explorado, que, muitas vezes, não percebe essa sutil lesão a consumi-lo, e acaba gostando de ser explorado (em razão das trocas que mencionei), surrado, obtendo uma espécie de prazer na dor e na sujeição – uma espécie de masoquismo – e passam a adular seus verdugos, por haver, cronicamente, se acostumado a eles a ponto de tornar-se dependente de tal condição. De modo algum, em verdade, querem desvencilhar-se do opressor, talvez por acomodação, por medo, talvez por gosto. Eis o maior dos males: quando se gera da exploração uma relação tortuosa e grotescamente aprazível, como o matrimônio entre o estuprador e sua vítima.   

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