segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Oligopólio Invisível – Ouro por Pão!

Já paraste para refletir por qual fator o preço do pão, ao que deixou de ser comercializado por unidade, encareceu drasticamente? Qual a crucial diferença entre quilo e unidades? Possivelmente, como alega as organizações responsáveis pela mudança, ocorria de os panifícios estarem fazendo pães abaixo do peso que é estipulado por lei (no mínimo, 50 g), incorrendo em injustiça para com o consumidor. Decerto, dada as circunstâncias, era uma mudança necessária, mas, no entanto, gerou-se a injustiça de uma preocupação tão justa, pois resolveram valer-se de uma solução para acobertar, maquiar, um perfeito logro que a nulifica por completo, intensificando a perda em razão da qual se optou por tal mudança. Resumindo, antigamente perdíamos apenas algumas gramas do produto (quando perdíamos), o que não é nada em comparação do prejuízo que temos atualmente com o preço excessivo – em outras épocas, podíamos comprar um pão por 10 ou 15 centavos. Pondo isso em proporção no que é pago ultimamente, desembolsamos 30 centavos por unidade (isso, quando está em oferta). Mas, ao menos, não somos lesados quanto ao peso do produto (não somos mais vítimas das malditas gramas a menos), visto que o preço denominado equivale ao conteúdo que estamos levando realmente (dãããããã!). Assim, o propósito dessa lei foi ridicularizado, tal como ocorre na lei que determina que o máximo de pena a incorrer num indivíduo – independente se este roubou pães ou dizimou uma cidade inteira – é de 30 anos, significando que qualquer pena superior a este período é pura balela, uma vez que tantos por aí são condenados a 100, 300, 400 anos, e acabam permanecendo em cárcere apenas três décadas – uma piada à la brasileira. Evidentemente, não estou acusando ninguém, nem pretendo fazê-lo nesta postagem – sem provas, tornar-me-ia um dos monstros contra os quais eu luto –, só tenciono apontar que existem coisas muito erradas, deliberadamente erradas, em nosso país, às quais não podemos cruzar os braços, simplesmente, e esperar dias piores.
Também, já reparaste que em todas as ocasiões que um determinado produto de uma determinada empresa muda de embalagem (com um slogan “super deslocado”) ou lhe é criado um novo sabor, o peso do produto diminui? Igual ao caso do pão, é um embuste para lograr o consumidor, estratagema que, se em questões tão básicas e ínfimas – como pão e quilogramas – já perpetram roubo, deve fazer eco em outras questões maiores, com mais ganhos – como é caso das esmolas que a emissoras de TV vivem pedindo para causas beneficentes, e do salário dos vereadores e deputados, que pode ser aumentado conforme a vontade destes (e isso, eles aproveitam muito bem). “As leis devem reverência a seus criadores” – frase do meu romance Bétula, bem elucida o que quero dizer. Enquanto nos abstermos de reclamar, de reagir, sofreremos com este anti-progresso. Ao menos, o oligopólio relativo às passagens de ônibus é bem perceptível a olho nu. 


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