sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Atemporalidade da Arte

            Se relacionarmos as criações do passado, no que condiz unicamente às vertentes artísticas, com as de nossa elevada atualidade, ficará claramente perceptível o desnível entre elas – a antiguidade é infinitamente mais profunda, mais sublime, ardorosa, artística, do que a mísera realidade à qual nos encontramos acorrentados. Regressar aos apoteóticos tempos da criação humana é o único recurso para homens que aspiram o que está além da vida – a arte, o existir que transcende toda a existência. Como disse a personagem Norma Desmond (Glória Swanson), uma ex-atriz do cinema mudo esquecida e decadente, no filme Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard – 1950), “as estrelas não têm idade”. A arte também não. Obras-primas jamais envelhecem. Apesar da desatualização histórica, seu vigor há de se manter perenemente e até ampliar-se na passagem dos anos, como é detectável em vários trabalhos, por séculos, extemporâneos.
Shakespeare é um ótimo exemplo, pois, suas peças, seus versos, só acresceram em força e expressividade desde o período em que foram compostos. E daqui a cem, duzentos, mil anos, ele ainda será Shakespeare. Do mesmo modo, John Milton, Dante Alighieri, Edgar Allan Poe e outros tantos. Na música, Mozart, Beethoven, Richard Wagner, nunca poderão ser esquecidos ou igualados. A modernidade tornou-nos mais práticos, mas, em contrapartida, deixou-nos ociosos, maquinais ao pensar. Por conseguinte, extinguiram-se os Deuses da literatura, música e cinema… ficaram todos no passado, e nós, sob a sombra de seus pensamentos. “Não precisávamos de diálogos. Tínhamos rostos…” – N. Desmond.


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