quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ABL – Cultura... Demasiada Cultura!

           

A ABL (Academia Brasileiras de Letra), em cuja fundação, ocorrida no final do século retrasado, estiveram envolvidos escritores renomados, que tiveram extremo valor na ascensão cultural do país (a exemplo do Sr. Assis), sem os quais, possivelmente, nunca haveríamos chegado ao patamar social e artístico em que nos encontramos, e, tampouco, teria o indivíduo a mentalidade evoluída que hoje gozamos possuir. Em razão desses fatores, tal constituição mantém-se forte, de ética inexpugnável, de valores essenciais à formação dos intelectuais hodiernos, visto que essa é a sua máxima finalidade, acima até mesmo do labor de imortalizar os clássicos (isso, os próprios clássicos tratarão de fazê-lo, por sua inestimável qualidade, se nem tudo está perdido e os autores imortais têm mais significância artística do que os “reis” da cultura pop de hoje em dia). Elevar tanto o idioma e o nível dos artistas que o empregam, ajudando a tecer a teia da cultura nacional e mundial, tendo sempre em vista as grandes obras como escola e embasamento, mas com a avidez de produzir trabalhos originais e cada vez melhores, os quais rivalizem com os consagrados escritores. São de sua responsabilidade a preservação da parte sublime de nossa cultura (bons apreciadores sabem identificar tal porção) e fomentar sua continuidade, pois, apesar dos empecilhos que nossa geração enfrenta – os quais apenas atrofiam a racionalidade – ela não deve existir à sombra do poder intelectual das arcanas civilizações. Temos capacidades suficientes para nos igualarmos aos deuses antigos; basta começarmos a exercitá-las e usufruí-las.
Bom, enfim, voltando ao foco do texto – a ABL –, sinto-me tão orgulhoso por haver em minha amada pátria uma instituição dessa categoria, que preza e fomenta a cultura, que não é elitista nem preconceituosa, sempre auxiliando os novos talentos, e jamais, em época alguma, deixou de incluir em seu time todos os escritores que denotavam talento e colaboraram na edificação da estrutura social tupiniquim. Também, a ABL é incorruptível, pois nunca integrou em seu time escritores charlatões ou premiou alguém que não tivesse mérito literário. Paulo Coelho e José Sarney estão lá porque escrevem, e, ao pé da letra, são escritores. Sendo assim, a bondosa ABL os acolheu (sim, ela também possui conceitos filantrópicos que não concernem a nenhum interesse subliminar), assim como, concedeu ao Doutor Ronaldinho Gaúcho o prêmio máximo da casa – a medalha da Boa Falácia, ops, me confundi!, nesse caso é a Medalha Machado de Assis – por seus méritos genuinamente literários. Não que o Dr. Ronaldinho tenha lido muitos livros (pra quê?! Afinal, os livros estão fora de moda, ultimamente) ou escrito textos magníficos (pra quê?! Escrever cansa as mãos e pensar causa rugas), ou mesmo seja ele um filósofo razoável (pra quê?! Olha a bola que ele joga! Com um futebol assim, não é necessário nem saber falar!), mas, assim mesmo, ele é um "sábio dos campos". E, contrariando as mentes mais retrógadas, mais obsoletas, a ABL percebeu o valor artístico do rapaz e lhe prestou uma homenagem à altura dele, criando uma situação à altura da significância da instituição. E é humilde ainda, o Dr. Ronaldinho Gaúcho, dizendo aos sapientes organizadores, os inteligentíssimos letrados, que não lhe competia tal alcunha, embora muitos dos ali presentes afirmassem que ele é o Doutor do Futebol... que lindo! Fiquei emocionado com tal notícia, ademais, pelo fato de que todos ali presentes são benfeitores, felizes, uma família (snif… snif… desculpe, não pude conter as lágrimas! É tanta emoção…). Aplaudi fervorosamente, em frente ao computador, quando li que chamaram a bandeira do Flamengo de Manto Sagrado! É emoção demais para mim (e para todos os pensadores deste país quando a bandeira de um time de futebol ou qualquer outra entidade filosófica é santificada dessa maneira), porquanto a literatura e o futebol mantêm uma relação indissociável desde tempos remotos – Sócrates e Platão já praticavam tal esporte enquanto filosofavam. Ainda bem, pois se uma organização como tão importantes responsabilidades, desse um prêmio que somente os mais excelentes na área merecem receber a uma pessoa que se que não se lembra do último livro que leu, seria extraordinariamente ridículo.


             Além do mais, transmitiria a ideia de que, antes da arte, visavam seus interesses, ou seja, arrecadar popularidade através de algum super herói da mídia, adulando-o insanamente, com termos que o enalteceria de maneira dolosa e exagerada. Ainda bem que a ALB jamais se vendeu, como fazem a maioria das organizações brasileiras e internacionais (desportivas políticas, etc., etc.), por serem administradas por pessoas corruptas que transformam qualquer bela ideologia em um protótipo comercial para seus ganhos pessoais. Ainda bem que ainda temos a literatura, o último resquício do nosso pensar, nas mãos da ABL, essa nobre organização jamais falsa, nunca vendida por vis interesses, que sempre agiu com probidade, leais aos seus preceitos, à sua ideologia cultural, senão tudo o que conhecemos e respeitamos estaria perdido (ufa!). Enfim, é de se supor que os próximos a ganhar a medalha Machado de Assis (este deve estar orgulhosíssimo, se revirando na tumba de tanta alegria!) serão a Carla Perez, Tiririca (pelos livros que escreveu no senado e noutros picadeiros pelo Brasil afora) e Serginho Malandro – o nosso patriotismo precisa de tal confirmação. 

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